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Estamos em 438, datado pós a estadia da luz
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STEMFØRD-GRÄHL, Summer

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STEMFØRD-GRÄHL, Summer

Mensagem por Summer Stemførd-Grähl em Dom Ago 07, 2016 12:24 am

"Eis que surge uma nova heroína, aquela que se quer temeu enfrentar desafio de navegar pela caminho ao qual lhe trouxe à nós. Devo então, questionar-lhe o maior mistério: quem és o ser divino frente a mim?", ouço o homem dizer.

"Maravilhoso!"

Sua animação era um tanto quanto irritante mediante ao que havia respondido. "Peço tão somente que aguarde enquanto faço as minhas anotações. Novamente...", ele veio a continuar, retornando com uma pausa enquanto parecia relembrar tudo aquilo que eu havia dito.

"Summer Stemførd-Grähl, nascida em 21 de junho, tendo dezoito anos, uma filha de netuno, especificamente, uma pescadora de caís, certo?", ele questionou. Havia repetido todas as informações dadas por mim. Aquilo era sério? Pude tão somente assentir, remetendo aos poucos fatos que me eram importantes no passado, fatos que remetiam a minha história, a quem eu realmente era.

Correndo pelas ruelas imundas do vilarejo que morava, a ruiva fugia. Seus pés, descalços, sangravam ao contato com as pedras irregulares que formavam o caminho, mas ela não se importava. O sol já estava se pondo, logo escureceria e ela ficaria à mercê dos perigos que o lugar oferecia. E, com perigos, se referia aos homens, fedidos de suor e álcool, que não hesitariam em profanar sua pureza e seu corpo. Homens como ele.

Enquanto corria, as lembranças de uma vida nada fácil vieram em sua mente. Tinha nascido em uma família pobre, que tirava da pesca seu sustento. Era a filha mais velha, irmã de outros sete, todos rapazes. Mas, embora fosse a única menina, era a que mais trabalhava, a que mais sofria da austeridade do pai, a que menos recebia dentro de casa.

A severidade com que foi criada não foi o único fator que, indiretamente, à levaram até aquela situação. Fora de sua habitação, ainda tinha que aguentar comentários inóspitos sobre sua mãe, qual todos chamavam de puta por, possivelmente, tê-la tido antes de se casar, algo que nunca esclareceu. E, também, pela curiosa cor de seus cabelos, alaranjados como as chamas de uma fogueira. Quando não diziam que sua mãe tinha vendido a alma para o diabo, a própria Summer se via alvo de tais comentários.

— Falta tão pouco. — Murmurou para si, se referindo em chegar até o limite do vilarejo, onde havia um cais, lugar que visitava todos os dias à trabalho. Uma rápida olhada para cima e, se deparou com um céu estranhamente avermelhado, o que a lembrou do sangue que agora tinha em suas mãos. Involuntariamente, foi levada a momentos atrás, quando estava ao lado do corpo desfalecido daquele que chamava de pai. Quando ele tentara roubar sua virtude.

Talvez nunca tivessem se dado bem. Talvez, apenas talvez, a história sobre sua mãe ter engravidado de si sem se casar fosse verdade e, ela não fosse filha biológica dele. Mas isso não lhe dava direito algum sobre seu corpo, como ele afirmou veemente ao aborda-la na velha casa em que moravam, após chegarem de um dia longo de a pesca. Absolutamente, não lhe dava o mínimo direito em tocá-la, tentando despir suas roupas já há muito tempo gastas.

Os deuses poderiam castiga-la o resto de sua vida, mas Summer não se arrependia do que fez. Utilizando de sua lança favorita, qual tinha ganhado do próprio para pescar os peixes maiores, o apunhalou em seu peito, visando acertar o coração. E, mesmo que todo o sangue e os olhos sem vidas a tivessem abalado, ela faria novamente, uma, duas, três vezes.

Após o ato, ela deixou o corpo caído no chão da cozinha, correndo para fora da casa. Não tinha estrutura para tocá-lo novamente. Seu único pensamento era que deveria fugir, pois tinha matado um homem e, as autoridades não a deixariam impune. Entretanto, para alguém que nunca conheceu algo além do lugar que viveu desde seu nascimento, era difícil pensar em um lugar longe e, ao mesmo tempo, seguro. Caso descobrissem – e eles iriam descobrir, ao dar falta dela –, seria caçada até a morte.

Foi assim que chegou onde estava agora. Fugindo, suja de sangue e com sua moral abalada.

— Finalmente. — Exclamou ao sentir o cheio de peixe estragado e, mais ao longe, o próprio cais. Naquele horário, poucos era os trabalhadores por ali, portanto, a construção se resumia em acolher apenas barcos. Summer, numa ideia perturbada, resolveu esconder-se em um barco estrangeiro, afinal, ele chegaria à algum lugar.

Porém, ela nunca conheceria o destino daquele barco. Cinco dias foi o tempo que levaram para descobrir quem roubava a comida de madrugada. Apesar de ser uma mulher e de ser bela, seu destino foi a prancha e, mesmo que suas habilidades como nadadora fossem brilhantes, não havia um mísero pedaço de terra por perto.

Dessa forma, quando acordou sobre a areia fofa de uma praia, assustou-se. Mesmo cometendo um ato vil cruel, os deuses lhe sorriam, permitindo sua fuga e, mais importante, que ela vivesse. Não sabia como, mas, algo em seu interior remexia-se, e ela sentia que, a partir daquele dia, ela seria outra. Se libertaria das correntes do passado para fazer seu próprio futuro, bem ali, naquela ilha.


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Re: STEMFØRD-GRÄHL, Summer

Mensagem por Calypso em Dom Ago 07, 2016 5:43 pm

A cidadela te espera, minha cara. A austeridade seu padastro pode ter vindo a afetá-la, assim como extinguir sua vida. Peço que seja mais sábia em suas ações. Saiba como rasgar uma alma sem deixar vestígios. Acalme-se por enquanto, a ilha te ajudará com isso. Apenas descanse agora, pois justo deve ser que possa construir sua vida novamente. Sophrosyne é toda sua, herói.


  • Aqueles nascidos do pai do mar, o senhor dos terremotos, temido por toda a extensão do seu grande poder;






  • Como lhe é de direito, beneficiando seu ofício, uma rede lhe acompanha. Feita inteiramente com cordas perfeitamente trançadas, pequenos pérolas podem ser encontradas em meio aos seus nós. Sua origem lhe é desconhecida, tendo apenas ciência de que seu lucro sempre fora maior com esta em sua companhia. Pescar nunca foi tão fácil.


  • Sendo o brilho em meio a escuridão, as ligas de bronze celestial se mesclam perfeitamente ao ouro imperial. A lança traz em sua extensão entalhes de grandes batalhas guerreadas pelos deuses, influenciando o portador em seus obstáculos. Ainda que a usando também em meio as suas pescarias, o sangue daquele que assassinara permanecera nela, como uma eterna lembrança de seus atos.

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