fatal hamartia
Estamos em 438, datado pós a estadia da luz
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GÜLFEN, Mahidevran

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GÜLFEN, Mahidevran

Mensagem por Mahidevran Gülfen em Sab Ago 06, 2016 9:29 pm

"Eis que surge uma nova heroína, aquela que se quer temeu enfrentar desafio de navegar pela caminho ao qual lhe trouxe à nós. Devo então, questionar-lhe o maior mistério: quem és o ser divino frente a mim?", ouço o homem dizer.

"Maravilhoso!"

Sua animação era um tanto quanto irritante mediante ao que havia respondido. "Peço tão somente que aguarde enquanto faço as minhas anotações. Novamente...", ele veio a continuar, retornando com uma pausa enquanto parecia relembrar tudo aquilo que eu havia dito.

"MAHIDEVRAN GÜLFEN, nascida em 24 de OUTUBRO, tendo TRINTA anos, uma filha de NÊMESIS, especificamente, uma Mestre Curandeira, certo?", ele questionou. Havia repetido todas as informações dadas por mim. Aquilo era sério? Pude tão somente assentir, remetendo aos poucos fatos que me eram importantes no passado, fatos que remetiam a minha história, a quem eu realmente era.

Um erro. Era isso que meu pai dizia ao olhar em meus olhos todos os dias, cresci com sua repetitiva culpa de ter se relacionado com minha mãe. Não me encarava, dizia que parecia muito com ela, no fundo ele se sentia magoado e abandonado.

Ele era o grande sultão otomano e não nasci na ilha, fui criada por minha avó validé sultana e também sua haseki sultana, suas outras esposas estavam mais preocupadas em ter sua próprias proles para manterem suas hierarquias. Não as culpo são as regras de nossa cultura.

Fora proibido falar sobre minha mãe, sabia que existia algo de estranho com ela pela forma que reagiam ao assunto, mas era frustrante não obter respostas. Aos poucos comecei a sentir que eu mesma não me encaixava como os outros, parecia que de alguma forma eu era diferente e isso me fez cada vez mais afundar em segredos.

No alto de meus quinze anos meu casamento com o grão vizir estava selado, com toda a pompa me casei e naquele mesmo ano tive meu primeiro filho, um varão que herdaria os títulos do pai. Não posso reclamar, meu casamento não foi infeliz. Mas havia algo dentro de mim que dizia que eu precisava de algo que eu não tinha ideia.

Fora de madrugada que os ouvi entrar, uma conspiração contra o sultão estava acontecendo e o primeiro alvo era minha família. Corri em busca de meu filho enquanto meu marido lutava, mas ao chegar vi minha escrava morta e um soldado sufocando meu pequenino bebe. Era tarde demais, diante dos meus olhos assisti a morte de minha própria carne.

Não sei o que aconteceu, o gosto pela vingança encheu minha boca, entre as lagrimas uma força tomou meu corpo e alcancei o castiçal. Nunca em minha vida ataquei com tanta fúria, cada golpe soava poderoso, desviava de todas as suas investidas com incrível flexibilidade, só parei quando meu marido tocou meu ombro. O soldado estava morto. Uma vida por uma vida.

Os dias seguintes foram duros, passei a questionar o sentido de tudo que vivia. Mas foi em um sonho que conheci minha mãe, meu pai tinha razão eu era muito parecida com ela.

Uma deusa ela dizia ser, ri com a ideia, mas de alguma forma eu acreditava. A ideia fixa de que deveria seguir até uma ilha me atormentava, mas meus deveres de jovem esposa me prendiam.

A guerra chegou e meses sem noticias de meu cônjuge, meu próprio pai me chamou em seu palácio e pela primeira vez olhou em meus olhos e contou que agora era uma viúva. Não tive reação, cai ajoelhada, havia perdido tudo que amava.

Voltei ao palácio do sultão, era como estar novamente no inicio de tudo. Agora os sonhos com minha mãe se tornavam mais vividos. Cansada de tudo compeli um eunuco a me ajudar a fugir e com uma estranha habilidade convenci um capitão a me deixar ingressar seu navio. Logo mais os guiaria até meu destino, uma ilha que só via em minha mente.

Despachada em um pequeno barco, remei entre a nevoa. Aparentemente os marujos se recusavam a me levar, diziam que o local era amaldiçoado. Mas para mim era crucial descobrir o que existia ali.

Me adaptei bem ao lugar, me mudei para o quinto distrito tentando recomeçar e esquecer o passado mórbido que vivi. Filha da justiça, agora sabia realmente quem era, minha verdadeira origem divina. Eu uma semideusa, reaprendi meu lugar na sociedade.

O velho mestre curandeiro do lugar me abrigou em sua casa, aos poucos estreitávamos laços e eu aprendia seu oficio. Afoita por preencher o vazio que sentia acabei engravidando do homem, porem um aborto espontâneo me mostrou o quão tola eu era. Mudei muito de meus costumes por causa disso, me foquei em aprender fechando meu coração.

Após algum tempo com idade avançada ele veio a falecer e tomei seu lugar como mestra curandeira. Tinha muito gosto em conhecer venenos e curas, adorava tratar as feridas e até mesmo cortar membros sem salvação. Algumas vezes seguia junto a batalhas para prestar apoio. Era justa, nobres e ladrões poderiam ter meu auxilio desde que me respeitassem.

Era a melhor no que fazia, mesmo assim toda noite sonhava com a vida que deixei para trás, com todas as possibilidades que enterrei.

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Re: GÜLFEN, Mahidevran

Mensagem por Calypso em Dom Ago 07, 2016 3:50 pm

A cidadela te espera, meu caro. Nós sabemos definitivamente que sua passagem fora tão árdua quanto caminhas sobre o fervor de um vulcão. Justo deve ser que possa construir sua vida novamente, vingando-se do lhe fora feito. Sophrosyne é toda sua, herói.


  • Aqueles nascidos da mãe da justiça, senhora defensora da igualdade, admirada e temida por sua imparcialidade e devoção à honra;






  • Dotada de uma flexibilidade quase que imensurável, suas espadas se tornaram dois objetos poderosos, sendo carregados com facilidade. A ambidestria se faz presente, permitindo que as suas lâminas possam ser empunhadas com a facilidade. Extensas e finas, estes itens foram especificamente feitos para mulheres de grande poderio. Diferentemente dos cabos comuns e retos de objetos como este, a sua mantém um tamanho proporcional para as suas mãos, permitindo que as finas linhas de metais que se trança as envolva.


  • Como a grande mestre curandeira que é, você dispõe de uma infinidade de ervas, mantendo em sua posse diversos frascos.




"Abençoada pela cura, um dom se manifesta. A vingança se concretiza, Esculápio se confessa: uma aprendiz ele necessita. Renovada deve estar. Faça-os sobreviver, mestre. Sua sina remediar", ele repetia. A voz era única, mantendo seu tom agudo em meio a um clarão incapaz de manifestar sua forma. "Acorde, bela. Sua mão deve o tocar, são ele permanecerá".

Mahidevran mal podia entender seu sonho, pouco sabia sobre quem havia se tornado. O senhor da Cura havia a tocado em meio ao seu sono. Ela havia sido abençoada com o dom da cura.

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