fatal hamartia
Estamos em 438, datado pós a estadia da luz
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SAVOY, Jarrod

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SAVOY, Jarrod

Mensagem por Jarrod Savoy em Sab Ago 06, 2016 9:03 pm

"Eis que surge um novo herói, aquele que sequer temeu enfrentar desafio de navegar pela caminho ao qual lhe trouxe à nós. Devo então, questionar-lhe o maior mistério: quem és o ser divino frente a mim?", ouço o homem dizer.

"Maravilhoso!"

Sua animação era um tanto quanto irritante mediante ao que havia respondido. "Peço tão somente que aguarde enquanto faço as minhas anotações. Novamente...", ele veio a continuar, retornando com uma pausa enquanto parecia relembrar tudo aquilo que eu havia dito.

"JARROD SAVOY, nascido em VINTE E OITO de JULHO, tendo VINTE E DOIS ANOS anos, um filho de NÊMESIS, especificamente, um CAPTOR, certo?", ele questionou. Havia repetido todas as informações dadas por mim. Aquilo era sério? Pude tão somente assentir, remetendo aos poucos fatos que me eram importantes no passado, fatos que remetiam a minha história, a quem eu realmente era.


JARROD


Deixa-me ir direto ao ponto.
Nada de rodeios.
A história é ordinária.
Nada de espetáculo.
Eu prometo.

Eu crescera em meio à podridão humana. Às vezes, dissera a mim mesmo que era apenas um modo de sobrevivência advindo da necessidade, do desespero. Mas as pessoas mal encaradas que vinham ao nosso apartamento em busca das mercadorias ilegais que minha madrasta e meu pai vendiam deram-me medo para servir de alimento a muitos pesadelos. Uma curandeira e uma figura paterna encostada, dava para entender como alimento, embora suficiente, não era sinônimo de esbanjamento, e que o dinheiro ganhado teria como fim apenas como meio de continuar vivendo. Para a exatidão da coisa, conseguia-se medicamentos por meios nada ortodoxos e os vendia a compradores assíduos; o exemplo dado a mim, uma criança que desde cedo aprendera o significado de ser forte, encarar, abrir os olhos e realmente enxergar.

Era um rapaz com doze anos de idade incompletos, muito embora com a cabeça amadurecida e já tão inflexível. Por viés do destino, conseguira chegar a um acampamento onde, supostamente, todos eram exatamente como eu. Diferentes, disseram. Especiais, ecoaram as vozes assegurando-me. Com capacidades sobre-humanas. Afinal, sim, eu não era integramente ser humano. Tinha uma pitada a mais. Por semanas, a única expectativa ao redor de mim baseara-se tão somente a quem iria reclamar-me. Usaram exatamente essa palavra: reclamar. Mais uma semana para que sua mãe recebesse um nome: Nêmesis, a que carregava o peso da vingança nas costas. A súbita, mas coesa, explicação de toda a má carga e energia que, por ser intensa, parecia que escalava meu corpo diariamente.

Eu tivera uma vez, uma especial vez, em que me assustara com o poder existente dentro de mim — como se eu fosse um casulo em molde humano — de fazer com que as pessoas tenham aversão por minha presença, fala, movimentos, e até mesmo a minha natural e contínua respiração. Seja por conta da minha já aflorada e exponencial arrogância, ou ainda o olhar cortante. Minha pontuda lábia, devo ressaltar, um ingrediente bastante específico para esse coro de reações. Assim, via-se que minha infâmia dentro do acampamento era vibrante. Eu conseguira bons amigos, os que de alguma forma tinham suas semelhanças para comigo. Conseguira inimigos, pessoas com as quais eu tivera a mínima das desavenças, seja por discordar com o que saía de suas bocas ou porque elas tinham uma ligeira resistência à mim.

Os campistas tinham a imagem minha de alguém a quem confiar para troca de favores. Fora exatamente assim que eu entrara em uma rede de contatos e muitas conexões. Eu era experiente. Como não? Com pais tão, tão educativos! Afora do acampamento, em alto mar, ou ainda na curiosa ilha com a qual eu me encontrara em um ponto da minha vida, sempre tivera uma tendência a me envolver com o que dizia respeito ao inverso de moral e de ético.

Mas uma coisa era certa: meu senso de justiça e de certo ou errado era muitíssimo que aflorado. Minha mãe não ficaria desapontada. Se bem que eu não podia me importar menos.

Chegar à ilha, ainda acho importante dizer, levara seu tempo, mas para um semideus com capacidades espelhadas de uma deusa nunca chegara a ser difícil: fora através do mar. Ali, também era empestado de outros como a mim. Também era um cenário para o único encargo que eu conseguiria exercer. Aquele que a vida escolhera especialmente para que eu faça, sem que eu ao menos pudesse dizer algo. Captor. Ao invés de medicamentos, pessoas. A mando de um mandante e movido pelo bem mais definidor da qualidade de vida humana: dracmas.  

Como prometido: nada de espetáculo.
A ordinária história de um aborto de Nêmesis.
Vingança, peito estufado e sordidez.

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Re: SAVOY, Jarrod

Mensagem por Calypso em Sab Ago 06, 2016 11:56 pm

A cidadela te espera, meu caro. Nós sabemos definitivamente que sua passagem fora tão árdua quanto caminhas sobre o fervor de um vulcão. Justo deve ser que possa construir sua vida novamente, vingando-se do lhe fora feito. Sophrosyne é toda sua, herói.


  • Aqueles nascidos da mãe da justiça, senhora defensora da igualdade, admirada e temida por sua imparcialidade e devoção à honra;





  • Mantendo em mãos duas clavas, a ambidestria é uma característica sua ressaltada a cada uso destas. Magníficas é como podem ser definidas. Com a estrutura feita inteiramente em ferro cada uma delas possuem extremidades volumosas que carregam consigo uma corrente para uni-las, dessa forma, os oponentes podem ser atingidos de uma distância maior, mantendo você praticamente intocável.


  • Iustitia é seu nome. Uma das éguas mais velozes de toda a cidadela, o animal recebeu tal nomeação para representar a justiça exercida a cada galopada. A vingança se faz presente, cavalgando sob o manto negro de sua pele e seu olhar cor de âmbar.

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