fatal hamartia
Estamos em 438, datado pós a estadia da luz
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ZETTERHOLM, Baalberit

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ZETTERHOLM, Baalberit

Mensagem por Axel Pentaghast em Sab Ago 06, 2016 6:22 pm

"Eis que surge um novo herói, aquele que se quer temeu enfrentar desafio de navegar pela caminho ao qual lhe trouxe à nós. Devo então, questionar-lhe o maior mistério: quem és o ser divino frente a mim?", ouço o homem dizer.

"Maravilhoso!"

Sua animação era um tanto quanto irritante mediante ao que havia respondido. "Peço tão somente que aguarde enquanto faço as minhas anotações. Novamente...", ele veio a continuar, retornando com uma pausa enquanto parecia relembrar tudo aquilo que eu havia dito.

"Baalberit Bartholomew Zetterholm, nascido em Treze de Novembro, tendo Vinte e Quatro anos, um filho de Hades, especificamente, um contrabandista de mercadoria valiosa, certo?", ele questionou. Havia repetido todas as informações dadas por mim. Aquilo era sério? Pude tão somente assentir, remetendo aos poucos fatos que me eram importantes no passado, fatos que remetiam a minha história, a quem eu realmente era.

A reposta viera com naturalidade em reflexo ao meu temperamento: “Vai se danar.” Mas Alpha apertou meu pulso com intensidade, demonstrando sua força em um aperto filme. Fica frio, ela dizia com um singelo olhar de canto. Suas orbes azuladas já foram motivos de temor, envoltas de uma névoa densa da quais raios a acompanham quando irritadiça. Agora me encaravam com seus mares e oceanos em calmaria, com raios de sol isolando a tensão. Estávamos em casa, afinal. Fora um alívio chegar em terra firme em meio de tanto esforço, além de que estávamos finalmente libertos da besta que nos perseguiu durante todos esses anos. Não tratava-se de criaturas pertencentes a mitologia que nos cerca, era uma mulher... Apenas uma mulher.

Valkyria, a vil, fora a única figura materna da qual tive o desprazer de conhecer. Fora o primeiro a nascer, mas tampouco me recordo de uma vida da qual Alpheratz estivesse ausente. Recebera o nome de um demônio da crença cristã e receio que ela quisera me comparar com toda sua aura pesarosa e demoníaca. Não me é uma surpresa, agora, tomar conhecimento de minhas origens que provém da mitologia esquecida pelos homens. Acreditara que havia algo anormal tomando meu âmago para que pudesse tolerar as atrocidades que vivera sobre as garras da tirana.  O início de anos de tortura construíram um casco resistente, mas debaixo de toda essas camadas de cinismo, reside o menino magricela e insolente que tinha seus tornozelos presos por cordas, passando horas de cabeça para baixo para o divertimento de uma maníaca.

Uma hora Natasha, outrora Valkyria. Éramos dois em desvantagem, e em suma desunidos. Foram raros os momentos que pude ostentar meus braços em torno da loira para consolá-la, assim como também era feito quando sentia seus dedos afagarem meus cabelos. A calmaria não tivera seu lugar antes que a maldita fosse presa. As cicatrizes são tamanhas apesar da pele alva, marcadas principalmente em minhas pernas e costas. As bitucas de cigarro eram apagadas em meu peitoral, motivo do qual não permito que o exponha. O psicológico é o primeiro a ruir fora a carne, graças aos jogos que ela gostava de exercer ao poder. Éramos seus brinquedos, ela dizia, seus favoritos e únicos, completava.

Aos onze fomos separados e a personificação de satanás finalmente nos libertou. Sentira saudades da caçula, mas mantive-me firme por um curto período de tempo ao ser jogado em um orfanato. Ninguém me adotaria. Viria a apodrecer até que completasse a maior idade para procurar Alpha — como a apelidara. Contudo, tivera uma crise de raiva da qual espanquei uma das crianças que resolvera desfazer minha bolha de exclusão. Fora no reformatório que me envolvera em um submundo que jamais me imaginara, apesar de tudo, me aprofundar. Viciei-me em drogas alucinógenas que eram requisitadas por uma segurança corrupta. E por meio do vício que conseguira encontrar um meio de fugir na companhia de alguns garotos de minha idade. E como consequência, Natasha retornara, ainda mais cruel e maníaca do que antes. Recebera o seu ódio que fora aglomerado durante o afastamento e logo tratamos de encontrar a quem faltava. Minha única certeza era que viria minha irmã antes de morrer.

Entre o alívio e um escândalo, fomos simplesmente puxados para um pequeno barco com a promessa que nossa moradia viria a ser uma ilha. Entre soslaio encarava a menina que tomava curvas de uma mulher, já não a reconhecia como a irmã que tomava meus braços com medo da escuridão. Refletira durante o percurso, crente que as minhas últimas horas de sanidade antes de virar alimento pros peixes, sobre as teorias mirabolantes que Alpha comentara entre sussurros. Ela não acreditava que existia Natasha ou Valkyria, elas eram uma única pessoa, mas com personalidades distintas. Contudo, acreditava na existência da outra, que tivera seu temperamento tomado pela loucura. Nas águas a maldita fora tomada e agora estou a dizer o quão miserável e insignificante havia sido minha vida.

Entrelacei os dedos na mão alheia, sentindo meus lábios se inclinarem minimamente, ato do qual somente ela poderia ter a visão. De alguma forma, tivera a certeza que nosso futuro seria livre da mulher que nos aterrorizou. E se não fosse, nos tornaríamos fortes o suficiente para enfrenta-la. Juntos.

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Re: ZETTERHOLM, Baalberit

Mensagem por Calypso em Sab Ago 06, 2016 9:47 pm

A cidadela te espera, meu caro. Nós sabemos perfeitamente que chegar até a ilha fora uma trajetória árdua. Justo deve ser que possa construir sua vida novamente. Sophrosyne é toda sua, herói.

  • Aqueles nascidos do senhor do Submundo, visto como um homem sábio, é o pai dos mortos, deus dos minerais e o guardião do abrigo dos nossos queridos heróis caídos;






  • Com a posse de duas de duas foices comumente presas em suas costas, tem como material uma prata dada como divinal, você se tornou um perito em escadas, usando dos cabos curtos e curvos para apoiar suas mãos enquanto com as duas lâminas, de maneira hábil, escala quaisquer paredes. Um contrabandista jamais poderá ser pego, não é mesmo?


  • Um anel feito com o mineral desconhecido, mas de coloração prateada, remetendo levemente ao preto dependendo do ângulo. A joia utilizada em seu centro é a ônix, tendo sobre esta, estampados em pequenos detalhes, o desejo de pequenas foices se cruzando; exatamente as mesmas que usa em batalha. O objeto é uma grande memória em si, principalmente por ser presente da valquíria que lhe criara.

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