fatal hamartia
Estamos em 438, datado pós a estadia da luz
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DE'PEARSE, Keegan

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DE'PEARSE, Keegan

Mensagem por Keegan De'Pearse em Sex Jun 16, 2017 8:56 am

"Entre, entre! Não se canhe, por favor! Não há quem não seja de grande valia aqui. Principalmente alguém como vosmecê... ahn... espera! És tu que tinha o costume de rondar a Praça do Espírito? Não, não... acho é... não importa! Devo então questionar-lhe o maior mistério: quem és o ser divino frente a mim?", ouço o homem indagar após seu falatório contínuo de palavras atropeladas. Ao que parecia, pelo andar de sua conversa com os demais ali presentes, anteriormente atendidos, seu nome era Zwietracht Greco, um filho de Atena.



Como era de se esperar, o respondi. Havia prestado dados como nome e até mesmo filiação, conforme me era interrogado.



"Maravilhoso! Esplêndido! Vamos! Vamos! Adiante-se logo, pois há quem te aguarde", disse o nascido da Sabedoria em meio a sua empolgação ímpar. Assombroso era a animação, possivelmente quase doentia.



"Peço tão somente que aguarde enquanto faço as minhas anotações. Novamente...", ele veio a continuar, retornando com uma pausa enquanto parecia relembrar tudo aquilo que eu tinha dito.



"Keegan De'Pearse, nascido em vinte e um de fevereiro, tendo vinte e sete anos, um filho de Ananque, especificamente, um político, certo?", ele "questionou". Havia repetido todas as informações dadas por mim, talvez como se quisesse uma confirmação. Pude tão somente assentir, remetendo aos poucos fatos que me eram importantes no passado, fatos que remetiam a minha história, a quem eu realmente era.



Ali tornava a viajar em meio passado, envolvendo-me pelo meu passado e tendo a total certeza daquilo que um dia me tornara a pessoa que eu sou. Haveria devaneio mais complicado?



(...)


Sophrosyne. Casa.


Meu local de nascimento. Minha sina. Ligado desde o berço ao núcleo da ilha, sabendo desde criança que era como uma irmã gêmea. Fui capaz de ver isso bem cedo; podia ver tudo. Irmão das moiras, filho do destino. Nenhuma ação era imprevisível o suficiente aos meus olhos, à minha ilha. Como um membro de meu corpo, sentia-a complementar.


Não foi minha escolha. Nada eu escolho, apenas vejo o desenrolar. Vejo os fios que minhas irmãs tecem, as linhas que cortam, todos os destinos ligados ao meu. Desafio-as. Faço-o em minha cabeça, em meus sonhos. Sei por onde andam, o que fazem; malditas irmãs, mais poderosas do que eu. Sei que não posso fazer nada a não ser ler seus sinais.


Disfarçava meus medos com sorrisos. Era encantador. Domar a vontade de alheios à força dos falsos sentimentos, falsas expressões. Aprendia aos poucos que não podia deixar a cidadela, não podia abandonar Sophrosyne, minha irmã. Se o fizesse, nosso laço seria desfeito; meu fio seria cortado. Estava atado à rocha como um sacrifício às bestas, eu era Andrômeda. E sabia que a ilha era tanto Kraken quanto Perseu; minha única salvação e, ainda assim, o que me condenara.


O destino era mórfico. Faria de tudo para evitá-lo, mas minhas irmãs não deixariam. Permitiriam-me ficar impassivo, estender a vida, mas chegaria o tempo. Difícil era, portanto, sorrir com frequência. Os olhos estavam cansados de tanto ver e rever, nos domínios oníricos, o fio atado. Não confiava nas irmãs, as abominava.


Maldita fosse minha mãe. Maldito fosse o destino.


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